domingo, 26 de maio de 2013

Mundo De Girassol

                                                             

Mundo De Girassol

Beber os girassóis do mundo
Toma-lo ia com canudinhos
Beber os anos da minha idade
Amar sem sentir saudades

Do nada que não vivi
De tudo que já colhi
Do todo que não provei
Do nada que procurei

Beber os girassóis em sóis
Tomar na pele em poros
Capturar a vida em reflexos
Beber seus raios em canecos de mim

Perder-se desses apetrechos
Libertar os desleixos em girassóis
Suavizar o desfecho sob os lençóis
Sendo suavemente esmerada

Ávida por amar em mar de prata
Ser polida em esmeraldas
Mas indomável como a lâmina
Que corta e sangra

Erradicar de mim a paixão
Refestelar-me em espuma de vento
Ser eu mesma o pão que me alimenta
Sem precisar de ouro ou marfim

Ser pedra bruta sem lapidação
Fazer da ilusão amor em mim
Viajar mais nas profundezas
Que sejam do oceano da alma

Beber os girassóis em gotas
Do universo de você
Faz-me saber o que é naufragar
Numa miragem estelar

Son Dos Poemas 

Asteriscos de poesia


Seiva que alimenta a vida
Como pão e respiro magia
Riscos de poesias bordado em amor
Sonhos e delírios bordado em poemas

Poeira das estrelas ventos e velas
Violetas e canela em vaso de flor
Dias sedentos versados em janela
Noites vazias sem lençóis de amor

Para compor o olhar arco do triunfo
Vitórias e guerras pintadas em telas
Para adoçar a vida amor em poemas
Alimentar a boca beijo de cinema

Saudades sopra o coração
Vento triste entoa a canção
Meu exílio do apogeu dos sonhos
Vivido nos trilhos

De uma velha estação
O trem que apita sem fumaça
A vista orvalhada lágrima e emoção
Olhar quebrando a vidraça da contemplação

Dos olhos que olham a imaginação
Sabota e estilhaça a nuvem da paixão
Trapaça do tempo que a velocidade corta
Proposta que imposta na separação

Almas em sintonias num céu de agonia
Reeditam-se em sonhos de papel
Pedindo refrão da reparação
Um bis outro dia uma nova canção

O arco do triunfo recompondo a espera
Uma nova era em todas as estações
Inverno primavera e verão
Nas ruas do outono amor a maior ilusão...

Sonia Gonçalves 24/05/2013

quinta-feira, 23 de maio de 2013






Embriagados


Totalmente embriagados de desejos
De sabores,
de beijos e licores
Com gosto de felicidade
Numa manhã de outono

Uma viagem á lua
Percorrendo as alamedas das flores
Visitando o jardim das oliveiras
Nas estações de um santo qualquer

Que seja são que não seja mulher
Pode ser Gabriel não sendo Maria
Que seja José ou então santo André
Que você seja o homem,
E eu tua mulher

Unidos numa mistura de amor e pecado
Tem cheiro suave de terra molhada
De seiva bruta e delicada
O mel que alimenta a boca

Como fosse um beija flor
Dos lírios sugaremos o néctar
Do gostoso mel do amor
Desejo e perdição de mim

Gostosa ilusão sem fim
Sedenta de amor eu vim
E me deixou assim
Embriagada em tua essência

Beijou os meus lábios
Assanhou meus desejos
Condenou-me ao pecado
Do amor proibido

Despertou minha libido
Agora te sinto tocando meu corpo
Com beijos afoitos sedentos de mim
Visitando Vênus percorrendo os montes

Bebendo em minha fonte
Provando meu licor
Meu sabor de cereja
Seu sabor de maçã
Nossas bocas unidas
Cheirando hortelã.


Sonia Gonçalves 


O melhor abraço


Envolvente perfumado e quente
Olor composto de brisa e amor
Suavemente delicado em cachos
Refinado como a parreira em flor

Que usa tentáculos envolvendo a videira
Com gavinhas bem agarradinhas
Envolve os galhos e os ramos
Num real espetáculo se rendem

Se prendem e se contorcem
Se atraem e se tocam
Num lindo abraço se amam mais
Sob o tempo nada jaz

O abraço da parreira é o melhor abraço
Seu cheiro de relva molhada
De rosa talhada para amar em pétalas
Com vigor segura o braço num laço

O beijo completa o fecundo abraço
Abracei-me agora nua em pele e pelo
Pela raiz dos cabelos e calor da imaginação
Abracei um lume senti até o perfume... Sensação!

Com euforia e roupagem de poesia
Envolvi-me no melhor abraço...
O braço quente causou arrepios
Fino bordado em fios de metal

Os braços intensificam os laços
No mais lindo abraços se conhecem
Despidos os corpo  se abraçam
Penduram as almas na lua e dançam...

Relampejam em beijos sedentos
Sapateiam sobre os delírios
Sabotando os sentidos
Abafando os gemidos

Perdem-se em desejos além das estrelas
Que com  maestria regem tão bem
Uma sinfonia de blues e poesia
Uma doce magia unida em abraços

Relâmpagos e beijos sedentos
Tão carinhoso e gostoso
É viajar nessa nave
Nessa  gigantesca ilusão em rodas
O meu melhor abraço.

Sonia Gonçalves 


Fragmentos de paixão


Lágrimas que caem em dias de chuva
Sempre mostram as nuvens á chorar
Percebo com olhar de vidraça
Tanta gente que passa

Dos olhos as lágrimas á rolar
Escorrem pelo chão
Carregadas de sim e não
São gotas... Ilusões e de

Amores ou paixões
De invernos e verões
De sóis que desabrolham
De todas as estações

Florais ou de sais
Gemidos ou gritos
De prazer ou de dor
São gotas que lampejam

Fragmentos de amor
Ao som de blues e poesias
Sabor de vermute
Com cristais de cereja

Atravessando pontes e correntezas
Em decorrentes poemas
Lavam a alma e saciam a sede
Juntam-se ao mar e seus sais

Acende esperanças em gotas
Amor regado como vinho
Cuja essência é carinho
Vindos dos moinhos de açúcar

Versados em diversos sabores de frutas
Seiva bruta que alimenta
Dá sustento aos sonhos e delírios
Acalenta os corações com brilho

Dá estribilho aos sons dos meus desejos
Faz querer de novo o refrão
E assim repetir a canção que fala

Paixão!

Sonia Gonçalves 

terça-feira, 14 de maio de 2013


Tudo vira um poema

Adotei essa flor para mim
Vou morar pra sempre nesse jardim
Serei serena como a flor de açucena
Suave e delicada macia e sedosa

Me vestirei de verso e prosa
Em suas pétalas rabiscarei poemas
Discretamente soltarei as algemas
Com suas variadas cores pintarei as telas

Salpicadas de nós e pó de canela
Enfeitarei de açucenas todas as janelas
Amarílis singelas do campo a mais bela
Serei seu inverso dobrado em ventania

Te farei a mais bela poesia
Vou pintar meu papel só com tua cor
Te regarei amor com seu próprio licor
Tatuarei meu corpo pra sempre poesia

Guardarei o dia dentro de ti
Serei noite e pólen sem porém
Só amarei a flor e mais ninguém
Somente açucena será meu bem

A flor mitológica que me faz renascer
Admirar a castidade da flor Amarílis
A flor da imperatriz por sua altivez
Que não se fez seduzir por Apolo

Orgulhoso Deus do olimpo
Majestoso em sua nudez
Serei como açucena graça que encanta
Elegância que desliza nessa flor feiticeira

São perfeitas as facetas em que se mostra
Essa flor do verdadeiro amor
Que representa tristeza e angústia
Cujo nome vem do latim

Traduzo pra você explicando pra mim
Frescura e brilho dessa linda flor
De nome açucena

Uma flor terrena seja grande ou pequena
Para sempre será, meu único amor...
Eu sonhadora.


Sonia Gonçalves
 

Encontros e amores


Toques de caricias
Tatear de delicias
Cintilar de desejos
Lampejos de beijos
Frio de emoção

Corações carentes
Corpos ardentes
Embriaguez
Do sensual e insano
Desafiando o profano

Contemplação da nudez
Corpos que rimam
Como imãs se atraem
Com as águas se esvaem
Pelo ralo sem pelos

Pelo apelo que apela
O beijo que sela
A pele que toca
Encontrando a carne
abrasando a chama

Acesa em desejos
Se entregando aos beijos
Como serpentes latentes
Troca de olhares o clima é quente
Bocas unidas sem filosofia vã

Sem canela, sem romã
O sabor uno é de hortelã
O inverno e lá fora
Verão aqui dentro
A pele que aflora

Expirando calor
A boca sedenta
Se alimentando de amor
Com gosto de amoras
Ela vai embora
Perfumada de flor

Sonia Gonçalves