quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Sempre Outra vez


Sempre Outra Vez

Havia um tempo então que o homem não tinha asas...
A era era de colheita de abastança...
E tal qual como acontece a era passada, é perfeita... 
A terra era fértil viçosa e fecunda
A poesia era jovem princesa pretérita criança
Os pensamentos eram fios de louros ainda...
Nasciam feito formigas açucareiras vagabundas
Tudo era abundância da mente igual oriunda
O sempre existia e amor gerava poesias troantes
Reluziam maciças à noite era uma epopeia 
De dia paródias extensas com sons tonantes
Brilhantes eram as ideias ás luas cheias...

Então houve um tempo de escassez...
Em que o negro abraçava o dia branco em luto talvez...
As águas das fontes e nascentes eram ácidas
As ninfas contornavam heras carnívoras e ávidas
Num lago de serpentes dormiam os pensamentos
Lavas de poesias surgiam entre trancos e barrancos
O vento já não cantava açoitava a poesia sem luvas
E já não se ouvia a canção apenas os gemidos das chuvas
Sobre as folhas das uvas o alvo fulgor só amor orvalhava...
O espanto era tanto que até a fantasia no peito rasgava
Assim passavam-se anos e poesia só amadurecia...
Compreendia ás manhãs amarelas sol entre cinzas é ilusão
Amor sempre motiva criar mundo onde farta é utopia?
O verbo conjuga o tempo gira-o sempre vil e sem razão
Mostra sempre aquela canção que sempre não é todo dia...
Todos os sentidos perdiam-se diante dos instintos...
Apartava dia a dia as distantes lembranças vão...
A língua sempre o doce amargo era só absintos 
Contudo as sementes plantadas sempre retroagiam
Ora dançava ora assentava assim como iam vinham
Num frenético desespero ao olhar chorava e ria
E o obsequioso amor que um dia gracioso fulgente
Parecia partir sem adeus e sem bom dia ia...
Mostrava-se crescente e indiferente na conta nem lágrima
Nem silêncio rompante rompia o sorriso no vácuo do nada...

Então houve um tempo de nitidez...
Languidezes e sentidos prostrados se desfizeram
E a inconstante insônia deu lugar à placidez...
A brisa orvalhou os pensamentos abundantes
E dos olhos saltaram brilho feito luz de diamantes
As violetas enfeitaram arandelas e janelas
E o otimismo insistia em fazer de conta e fez...
Virou a página do poema e reescreveu tudo outra vez...

Son Dos Poemas
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