quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Salgueiro Chorão





Salgueiro Chorão

Meu salgueiro encantador...
Por que choras desfolhando a dor
Com teus olhos molhados á deflorar a flor
Doa e fecunda sementes oriundas de amor

Meu salgueiro chorão sonhador...
Por que derrama seu pranto entristecedor
Por que choras se és verde de lembrança
Espalha suas lágrimas e alonga esperança...

Meu salgueiro branco nativo sem cor
Com seu tronco forte faz-me vassalo amor
Derrama sobre a terra tua seiva de ciência...
Fecundando os campos com sua onipotência

Meu salgueiro de asas choronas...
Observo-te á resvalar entornando suas ramas
Refletindo tom prateado enredando suas tramas
Escorre da face á terra lágrimas espontâneas

Meu salgueiro chorão e sombrio...
Reflete n’ lençóis d’águas sol e sombra ramos cios... 
Tristonhos são seus braços tão cheios de vazio
Meu salgueiro chora aos rios...

Sorrindo em contas de lágrimas
Desliza sonhos salgando as eiras 
Sonhando em ramas derramas...
Amor de todas as maneiras...

SOn Dos Poemas 


lI

Meu salgueiro chorão
Continua...
Chorador chora paixão
Sob o sol e a lua sempre nua...
Canta a natureza in natura 
A água tão mole que a pedra fura
Chora pelos lobos guarás
Pelas tartarugas e tamanduás
Pelos ogros e lobisomem
Pela natureza morta
E logro dos homens
Chora pela pele e pelo cordeiro
Pela lenda do carvalho
E dos cavalheiros...
Por todas as fadas e oferendas
Pela exclusão e extinção 
Da poluição da floresta e seu pulmão
Chora pela chuva que não desce
Pela lágrima seca que tudo esquece
A falta de nobreza e respeito
Chora pela natureza que ao vento fenece...


Son Dos Poemas 2016
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