domingo, 4 de fevereiro de 2018

Medo


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Medo

Tenho medo de tudo que sinto ser vulgar
Do amargor estranho do gosto absintiar
De me embriagar de hortelã e mentos
De licor, de congelar sentimentos...

Tenho medo de apavoramentos
Correria das formigas sem trilhas no vento
Assombra-me o medo de rimas viciadas
Rimar queijo com óbvias goiabadas...

Medo de taturana na pele que queima
Da palavra temida que cujo o mesmo tema
Amor desmedido que seja sina essa teima
Medo de não saber outro idioma só poema...

Tenho medo de certas imagens...
Tatuar n’alma minha e fazer tatuagens...
Pavor eu tenho do ardor do amor da paixão
Medo da chuva que leva tudo pelo vão...

Medo ser demagogia falar poesia e não calar
Medo de beber meus segredos e neles sufocar
Medo infinito de ir lá pra lua e nunca mais vir
Amedronta-me o medo de não mais saber ir...

Sorrir para o espanto que me fez sorrir
Assombra-me o medo do incerto porvir
Tenho medo da devassa liberdade me prender
E nunca mais me deixar eu ser...

Tenho medo da paixão perigosa...
Ser covarde e traiçoeira feito espinho de rosa
Medo de falar só poesia e ser assim um refrão
Medo de morder a língua e morrer de indigestão

Tenho medo de espantar a ilusão...
Sangrar na sentença e minguar emoção.

Son Dos Poemas
100%$ôniaMGonaÇalves
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